8 Eixos, 20 Recomendações
10
Reuniões Temáticas
41
Especialistas Ouvidos
Relatório aponta riscos à autonomia de Campinas e recomenda Plano Municipal de Transição
O relatório final da Comissão Especial de Estudos sobre a Reforma Tributária faz um alerta central: além de substituir gradualmente o ISSQN pelo IBS, a reforma mexe na estrutura de toda a administração municipal e expõe Campinas a riscos de perda de receita e de autonomia tributária. O documento, de 111 páginas e relatoria do vereador Nick Schneider (PL), aponta que a centralização da arrecadação, da compensação e da distribuição do novo imposto nas mãos do Comitê Gestor, somada às incertezas sobre os critérios de repartição das receitas, exige acompanhamento técnico permanente dos poderes Executivo e Legislativo.
Ao mesmo tempo, o relatório enxerga oportunidades. Por causa do tamanho do mercado consumidor, da concentração populacional e da condição de polo regional de serviços, tecnologia, comércio, indústria, inovação e logística, Campinas tende a ser beneficiada no modelo de tributação no destino — desde que monitore os efeitos redistributivos da reforma durante o período de transição, no qual a arrecadação pode oscilar e os setores da economia local serão afetados de formas diferentes.
O documento foi construído ao longo de quase um ano, em 10 reuniões temáticas que reuniram cerca de 41 palestrantes entre especialistas, representantes da administração pública, entidades de classe e academia.
Dividido em quatro capítulos, o texto reconhece a reforma — instituída pela Emenda Constitucional 132/2023 e regulamentada pelas Leis Complementares 214/2025 e 227/2026 — como "uma das mais profundas transformações do sistema tributário brasileiro desde a Constituição de 1988", mas aponta riscos ao município: redução da autonomia tributária, centralização da arrecadação e distribuição do IBS no Comitê Gestor e incertezas na longa transição.
Recomendações
Foram 11 encaminhamentos organizados em oito eixos. Entre os principais estão a criação de um grupo permanente de acompanhamento da reforma, com participação da Secretaria de Finanças, da Câmara e de entidades da sociedade civil, e a elaboração de um Plano Municipal de Transição Tributária, com cronograma, metas e indicadores. O relatório também recomenda:
Modernização dos sistemas municipais e integração das bases de dados ao Comitê Gestor do IBS, com investimento em inteligência fiscal e segurança da informação
Programa permanente de capacitação dos servidores da Secretaria de Finanças
Defesa da autonomia municipal junto à Frente Nacional de Prefeitos, à Abrasf e aos fóruns municipalistas, com critérios transparentes para distribuição do IBS e funcionamento dos fundos de compensação
Programas de conformidade e autorregularização fiscal, com reforço do atendimento ao contribuinte e da educação fiscal
Revisão da legislação tributária municipal e adequação normativa ao novo modelo
Políticas de fortalecimento da competitividade das micro e pequenas empresas
Ampliação da transparência, com audiências públicas, fóruns técnicos e canal permanente de diálogo entre poder público, contribuintes e sociedade
Diretrizes estratégicas para garantir a autonomia fiscal e a eficiência da gestão tributária municipal.
Governança – atuação da Câmara e do Comitê Gestor do IBS na defesa dos interesses municipais
Tecnologia – modernização e adequação dos sistemas da Secretaria de Finanças à RTC/IBS
Capacitação – formação técnica de servidores para a gestão do IBS/CBS
Autonomia municipal – preservação da autonomia fiscal diante da extinção do ISS e da centralização no IBS
Gestão tributária – fiscalização, litígio e regularização (fiscalização do IBS/CBS, gestão de contencioso, programas de compliance)
Revisão legislativa – acompanhamento e revisão da legislação durante a transição (até 2033, com efeitos até 2077)
Desenvolvimento econômico – mitigação de impactos sobre o Simples Nacional e a economia local
Transparência – monitoramento orçamentário, contábil e financeiro com a RTC
Para uma transição fiscal eficiente
Ações direcionadas para Secretarias, Auditoria Fiscal e Poder Legislativo de Campinas.
Legislação Local
Tecnologia e Sistemas
Capacitação Profissional
Adequação de leis e regulamentos municipais às novas normas do IBS e CBS.
Investimento em softwares públicos e infraestrutura para a gestão fiscal moderna.
Treinamento contínuo para auditores fiscais e equipes técnicas da administração.
